jusbrasil.com.br
18 de Agosto de 2017

A Educação Não é a Solução Para o Crime no Brasil.

A falta de estudo não faz o criminoso.

Dr. José Sant'Ana Vieira., Advogado
há 2 meses

Com a lava jato, aquilo que todos sabiam, mas não tinham provas, veio à público pela internet, revistas, jornais e televisão.

Assim como todos os países, o Brasil possui muitos problemas, estes problemas se distribuem nas mais variadas esferas e setores do governo.

Mas no País da corrupção cada problema tem sua utilidade.

Cada problema brasileiro é visto pelos corruptos, como algo a ser sugado pelo poder do crime.

A Petrobrás, tesouro brasileiro, na realidade era usada como mais uma possibilidade de enriquecer ilicitamente à custa do país. Políticos e empresários roubavam a população nacional através de propinas, desvios entre outras manobras criminosas que foram levadas a juízo e muitas delas sentenciadas.

A seca do nordeste, a cracolândia, o péssimo sistema de saúde, os graves problemas nos asfaltos e nas sinalizações das rodovias, a drástica deficiência no sistema prisional, a falta de moradia, a poluição, a violência, a criminalidade, a desigualdade social, o distúrbio no meio ambiente, entre outros problemas brasileiros, são portas abertas para os corruptos agirem de forma sistêmica sugando a vitalidade da Nação, pois para o corrupto cada item citado acima é tido como mais uma possibilidade de praticar a corrupção.

Ocorre que na maioria das vezes os políticos que lucram sugando estes institutos, são pessoas que vêm de uma ótima formação acadêmica, passaram por escolas e muitas vezes por faculdades, as quais o filho do pobre nunca teve a possibilidade e nem condições financeiras de frequentar.

Voltando a lava jato, cabem aqui duas perguntas: 1ºQuantas pessoas estão envolvidas na corrupção?

2º-As pessoas envolvidas são pessoas que tiveram deficiência nos estudos?

Não é preciso fazer buscas severas para notar que a maioria dos presos, processados e envolvidos na corrupção no âmbito da lava jato são pessoas ricas e estudadas, muito bem estudadas. Lula é uma das exceções é claro.

Ocorre que o jargão que diz “a deficiência no setor de educação é o grande responsável pela criminalidade brasileira” não é coisa nova, vem de longe.

Juntando essa ideia, com o fato de que desde há muito tempo, são apenas os pobres que pagam pelos seus crimes, e que desde há muito tempo, não se via rico sendo julgado e condenado, criou-se uma visão de que eram os pobres sem condições financeiras de estudar, os grandes responsáveis pelo alto índice de crime no Brasil, como se as instituições de ensino fossem responsáveis por formar o caráter do ser humano.

Portanto, por ser o Brasil, um País onde quase nunca o rico e o politico foram julgados pelos seus crimes, da mesma forma que os pobres eram julgados e condenados, é óbvio que se criou uma errônea visão de que o crime deriva da falta de estudo por problemas na educação, pois só foi colocado na balança o alto índice de criminalidade cometido por pobres que não tiveram condições de estudar, deixando de fora a elite que financeiramente sempre possuiu condições de frequentar escolas e faculdades e que pelo próprio sistema corrupto tinham suas imagens propagadas como “santos” incapazes de cometer crimes.

Certamente se colocarmos na balança, sobre a luz da realidade, ricos formados e pobres sem estudo, levando em conta todos os crimes cometidos pela elite política e pela elite empresarial, o índice de criminalidade no Brasil não seria atribuído ao fraco sistema de ensino e educação nacional.

De certa forma, a lava jato está mostrando que os ricos, assim como os pobres, estão abrangidos pela possibilidade de cometerem crimes, e cometem. Com isto cai por terra a podre ideia de que a falta de estudo e pobreza faz o criminoso.

Na verdadeira realidade, e não em uma realidade inventada, ricos e pobres são iguais no que diz respeito à possibilidade de cometer crimes.

Daqui a algum tempo, provavelmente depois da última fase da operação lava jato, se a luta contra a corrupção for vitoriosa, haverá muitos corruptos presos, políticos e empresários, portadores de alto nível de intelecto, formado em grandes universidades, pagando pelos seus crimes.

Isto mudará a visão de que o problema no sistema de educação no Brasil é responsável pela criminalidade, da mesma forma estabelecerá a verdade, mostrando a todos, que ser pobre sem possibilidade de estudar é apenas ser pobre sem condições de estudo, ser pobre sem condições de estudo não é ser criminoso.


Dr. José Sant'Ana Vieira.

Advogado em Araçatuba-SP

2 Comentários

Faça um comentário construtivo para esse documento.

Não use muitas letras maiúsculas, isso denota "GRITAR" ;)

A ideia de que a falta de educação é a principal causa da violência é reconfortante, é simpática, soa bem. Ocorre que é falsa. Não se vê correlação consistente entre as duas, mas a ideia continua a ser repetida. Os índices educacionais, a taxa de analfabetismo, melhoraram notoriamente nos últimos 30 anos, enquanto a violência explodiu. A relação foi inversa! (Sem que com isso se diga que maior educação cause maior violência - a relação de causalidade principal simplesmente não existe). A maior causa de criminalidade para crimes não famélicos é a impunidade, é saber que a recompensa é alta, a chance de ser pego é baixa, que a punição é baixa e que não há grande ônus moral na hipótese. Todos estes elementos estão presentes no Brasil! Um assassino (o crime de maior gravidade) tem chance de menos de 10% de ser descoberto, bem menos ainda de ser condenado - depois de bastante tempo - estará de volta às ruas em 6 anos e ainda será chamado para tirar selfies! Não há escola que resolva criminalidade quando um aluno vê seus colegas praticarem crimes, saírem impunes, usufruirem do produto de seus crimes e serem admirados. A única coisa que impedirá a opção pelo crime é a própria escolha individual, e, ressalte-se, essa ainda é a escolha da grande maioria das pessoas pobres, o que prova o caráter falacioso da tese da falta de opção. continuar lendo

Concordo em parte com seu posicionamento.

Com certeza, não é só o pobre sem estudo que comete crimes. Nunca foi.

Mas essa premissa, não invalida que a grande maioria que está encarcerada não possui estudos e bem pouco acesso a serviços públicos de qualidade.

A maioria dos brasileiros cometem crimes. Só ver o índice de pessoas pegas todos os dias dirigindo sob a influência de álcool, adquirindo material pirata na internet e etc...

O o sistema policial, judiciário e carcerário é direcionado em sua grande maioria para punir esses delitos cometidos pelos mais pobres.

Até mesmo porque os que cometem os crimes de colarinho branco são os que fazem as leis. E, por mais que alguns estão sendo punidos, há clara preservação dos direitos humanos para os que desviam grande quantidade de dinheiro público, salvo o uso da prisão preventiva desordenadamente como se tem usado.

O problema é que muitos que são condenados a pena de morte por interpretação policial ou estão aguardando julgamento, ainda que tenham cometido crimes, não têm o devido processo legal e o contraditório preservados. E, com isso, os analfabetos abarrotam as prisões, culpados ou não.

Já os de colarinho branco, só são condenados se tiverem provas robustas e todas elas tiverem sido submetidas ao contraditório e ampla defesa, se beneficiando, em muito, das prescrições e outras regalias como prisão na carceragem da polícia federal.

Quando as pesquisas apontam o grau de escolaridade dos presos é pra se identificar que eles não possuem muitas opções, que é muito incoerente termos uma Constituição que ao mesmo tempo determina o acesso a vários serviços básicos a todos e o mesmo grupo criminoso (revelado nos últimos anos) que devia agir para implementá-los, está a explorar os que deles necessitam. Já os criminosos estudados possuem várias alternativas e escolhem, deliberadamente, desvirtuar o cargo para o qual foram eleitos.

Por isso que colocar pessoas miseráveis nessas masmorras brasileiras é tão imoral. continuar lendo